Notificações
Há 19 anos, em 19 de junho de 1999, fazia pouco mais de 5 anos que se tinha ouvido as palavras "Internet" e "Portugal" na mesma frase e a mesma ainda não era praticamente comercializada, estava disponível apenas em orgãos do estado e, principalmente, nas universidades no âmbito da investigação. Há 19 anos surgia então uma modificação ao jogo Half-Life, designada por Half-Life: Counter-Strike, numa altura em que a internet estava pouco desenvolvida e a maioria dos jogadores jogava os jogos em rede nos cibercafés. Entretanto passou-se quase duas décadas e o anteriormente conhecido por "Half-Life: Counter-Strike" foi adquirido pela Valve, passou apenas a "Counter-Strike" e sofreu diversas modificações estando agora na sua quarta edição principal.
A evolução deste jogo não passou apenas por mudanças de grafismos nem melhorias na jogabilidade.O jogo que desde muito cedo despertou a competitividade e a garra de fazer melhor e que atualmente está no TOP3 das modalidades de Esports sofreu ao longo destes 19 anos, e irá continuar a sofrer, alterações principalmente ao nível dos eventos, alterações essas que foram sido feitas devido ao público que segue este jogo ser cada vez maior e mais exigente.
Os primeiros torneios mais próximos daquilo que temos atualmente surgiram no final do ano 2000, em Cologne, que é considerada a catedral do Counter Strike, e em Dallas, tendo no ano seguinte se expandido para o Brasil e outras cidades europeias. Na altura eram todos organizados pela CPL e o Counter Strike e os seus jogadores estavam bem longe de conhecer palcos e ainda mais longe de pensar em encher estádios e pavilhões com capacidade para mais de 20 mil pessoas. Numa altura em que os monitores ainda eram todos CRT, que chegavam no máximo a 90HZ, e os jogos eram disputados num formato de lan party em que quem quisesse assistir aos jogos tinha, na maior parte das vezes, de estar atrás dos jogadores, tudo era bastante diferente daquilo que atualmente pensamos quando se fala em eventos de Esports ou eventos de Counter Strike.

O hotel Hyatt Regency, em Dallas, foi o primeiro local a receber um torneio de CS nos Estados Unidos
Em 2001 a história já começava a mudar, os prémios passaram dos 10 mil dólares para os 100 mil, embora ainda fossem poucos os eventos com premiação próxima a esse valor, e já havia novas entidades a entrar no jogo e cada vez mais regularidade de eventos. Embora este primeiro ano tenha sido dominado também pela CPL, que organizou cerca de sete torneios entre Abril e Dezembro, no final do ano surgiu a WCG - World Cyber Games, que organizou o primeiro torneio no continente asiático.
| Ano | Prémio Total* | Versão* | País com mais torneios |
| 2000 | 23 000 | CS | EUA/Alemanha |
| 2001 | 300 000 | CS | EUA |
| 2002 | 330 000 | CS | EUA |
| 2003 | 660 000 | CS | França |
| 2004 | 400 000 | CS | Suécia |
| 2005 | 770 000 | CS | Coreia do Sul |
| 2006 | 1 000 000 | CS | EUA |
| 2007 | 1 100 000 | CS | EUA |
| 2008 | 1 250 000 | CS | EUA |
| 2009 | 630 000 | CS | Coreia do Sul / Alemanha |
| 2010 | 550 000 | CS | Estados Unidos |
| 2011 | 400 000 | CS | Coreia do Sul |
| 2012 | 230 000 | CS / CS:GO | Alemanha |
| 2013* | 1 500 000 | CS:GO | Suécia |
| 2014 | 2 700 000 | CS:GO | Suécia |
| 2015 | 7 000 000 | CS:GO | EUA |
| 2016* | 19 900 000 | CS:GO | EUA |
| 2017 | 21 700 000 | CS:GO | EUA |
Informação retirada de liquipedia.net
Prémio Total* - Em dólares e aproximado
Versão* - Versão mais usada nos torneios
2013* - Introdução dos "Majors", torneios patrocinados pela Valve e com maior prize-pool (250 mil)
2016* - Os Majors passam a ter prize-pool de 1 milhão
O que a tabela acima nos mostra é que o investimento foi praticamente crescendo desde que o Counter-Strike GO se popularizou, no entanto, existem outros dados que a tabela não nos mostra. Consoante o prize-pool foi aumentando, também foi aumentanto o tamanho da produção ao nível audiovisual, palcos e tantas outras coisas que formam o espétaculo ao vivo e em casa. Toda a esta evolução deve-se ao facto de cada vez mais o público de Esports ser um público mais exigente, se há pouco falávamos de torneios em que as pessoas assistiam aos jogos dos outros atrás de quem estava mesmo a jogar, atualmente os fãs de Esports já não pagam apenas para ver duas equipas a defrontarem-se.

Intel Extreme Masters Katowice 2013 (Foto de: Piotr Drabik)
Neste momento quando falamos em ir ver um evento já não falamos apenas em ver o jogo, os eventos de Esports transformaram-se em espétaculos que fazem inveja a tantas outras indústrias. Tudo isto porque, o público é cada vez mais exigente. Quando falamos em eventos de Counter Strike atualmente falamos em espétaculos de luzes e fumos que estão interligados com o jogo, falamos em interfaces de jogo completamente personalizadas, em transmissões com a maior quantidade de dados possíveis, tudo isto são coisas que se neste momento deixassem de existir se calhar fariam com que alguma parte do público deixasse de ir a um evento ao vivo.

Intel Extreme Masters Katowice 2017 (Foto de: ESL)
E o facto de o Counter-Strike ser um jogo praticamente 100% aberto, isto é, em que não é necessário pedir autorização à desenvolvedora do jogo para se ter acesso à criação de servidores nem para se ter acesso a dados das partidas, torna o próximo torneio sempre uma incógnita uma vez que a quantidade de coisas que podem ser desenvolvidas à volta do jogo sem ser necessário sequer a Valve lançar um update é enorme.
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