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Gaming Office vs. Gaming House - As diferenças
 

Autor: Marcelo Silva

Data: 25 julho 2018 21:20

 
 

Recentemente a organização dos OFFSET apresentou o seu "Training Center" que é, basicamente, um escritório para jogadores de esports, que neste caso será utilizado pela equipa de CSGO. A organização portuguesa seguiu então aquilo que já é a tendência internacional: criar gaming offices ao invés de gaming houses. Depois disto várias pessoas se questionaram se realmente um gaming office é mais ou menos benéfico que uma gaming house e, portanto, decidi elaborar este artigo que irá cobrir alguns pontos das vantagens e desvantagens de cada um dos modelos.

É importante ter em atenção que este não é um artigo 100% factual.


A primeira vez que se ouviu falar no termo gaming house, ou numa versão rudimentar do mesmo, foi na Coreia do Sul. A Coreia do Sul sempre foi uma das principais potências nos Esports, especialmente no que toca ao League Of Legends e Starcraft, tendo inclusive o país sido pioneiro em diversos aspetos, como por exemplo no reconhecimento dos desportos eletrónicos e dos seus atletas de forma legal perante o estado.

Na altura quem trouxe o conceito de "gaming house", ou "team house", à luz foram dois jogadores de Starcraft que decidiram-se juntar numa casa para treinarem a tempo inteiro. Este modelo de treino teve sucesso e posteriormente passou a ser copiado por diversas equipas do país, tendo chegado à scene ocidental de Esports apenas em 2011, numa altura em que várias equipas já usavam o conceito de gaming office.


Gaming House situada na Califórnia (Foto: Hyperx)

Gaming Houses

As gaming houses são, basicamente, casas de treino para equipas de Esports, embora o conceito já tenha sido adaptado para casas de youtubers e semelhantes. As gaming houses são vistas essencialmente nos Estados Unidos, com grande parte destas localizadas no estado da Califórnia.

A ideia principal das gaming houses é juntar num mesmo local a parte de alojamento e local de trabalho. Isto porque as equipas para além de serem constituídas por, pelo menos, 5 jogadores (no caso do CSGO), contam ainda com uma equipa técnica e, na maior parte dos casos em que este modelo é escolhido, os jogadores e membros da equipa técnica são de diferentes países, ou dentro de um mesmo país mas de diversas regiões distantes, e, como tal, a solução da gaming house é a mais simples, embora também seja, provavelmente, o mais dispendioso quando considerado que a organização tem gastos extra para além da manutenção do espaço.

Por mais que as gaming houses no passado tenham mostrado resultados, este modelo pode não ser o mais adequado, no entanto, tudo depende de alguns fatores a considerar, como por exemplo o "tempo" em que uma equipa deverá ocupar a casa, se em "full-time" ou "part-time", entre outros fatores.


(Foto por: Taco)

Quando falamos de um ambiente de gaming house estamos a falar de uma situação em que os jogadores irão estar 24/7 a conviver, e enquanto algumas pessoas são capazes de conseguir lidar com isto de uma forma dita "normal", em termos emocionais e psicológicos é algo provavelmente bastante cansativo e que no final das contas poderá puxar a moral e "química" da equipa mais para baixo do que para cima. Para além da a convivência ser quase 100% com os seus teammates, existe uma menor liberdade quanto ao ter uma vida pessoal e tudo isto são factores que poderão influenciar a performance de uma equipa.

Juntando a isto ainda o facto de que ao estarmos num ambiente "caseiro" existe uma maior descontração e as rotinas poderão ser menos rígidas, tornando assim o trabalho menos produtivo. Além disto, uma vez que os dois espaços (casa/trabalho) são os mesmos, para alguns jogadores será mais complicado de serem produtivos neste ambiente.

Gaming Offices

Os Gaming Offices por outro lado tratam-se, tal como o nome indica, de escritórios e têm o mesmo foco das gaming houses: fornecer um espaço para os jogadores treinarem. No entanto existem bastantes diferenças entre uma gaming house e um gaming office, sendo este último um espaço mais próximo daquilo que é a realidade dos trabalhos ditos regulares/comuns.

Este modelo já se encontra presente desde pelo menos o ano de 2000, no ocidente, e no início de tudo os "gaming offices" eram, normalmente, salas fechadas dentro de uma lan house.


(Fotos por: Cybersport)

Quando falamos em Gaming Office normalmente estamos a falar de uma situação em que os jogadores usam o espaço apenas naquilo que é considerado o seu horário de trabalho/treino. Quando as organizações proporcionam estas condições aos jogadores, o que seria expectável de acontecer é que os jogadores deixariam de morar todos juntos, tendo cada um de procurar um apartamento para alugar perto do local do gaming office (como acontece nos trabalhos ditos regulares) e, portanto, haveria uma maior liberdade para os jogadores que a gaming house não oferece.

Ao ter o tal horário e ser um espaço diferente, o gaming office oferece também uma maior rigidez em termos de horários de treino e aumenta a produtividade do jogador precisamente por conseguir haver a distinção dos dois espaços (casa/trabalho).

Em conclusão

Dito isto, considero que quando pensamos num modelo de treino como a maioria das equipas semi-profissionais (em Portugal) tem, em que estão no espaço físico uma curta parte do ano e em períodos intercalados, a melhor solução é de facto a da Gaming House, no entanto, numa situação de longo prazo, como o caso da maioria das equipas profissionais a nível internacional, o gaming office traz bastantes benefícios.

Embora o gaming office seja a coisa mais aproximada da realidade que a maioria dos trabalhadores tem, nos Esports a gaming house já é o mais comum de se encontrar e, portanto, a transição para o modelo de gaming office poderá não ser fácil, no entanto, acredito que a longo prazo seja efetivamente a melhor solução.

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